Textos variados de pouca ou muita afiações e outras funções meramente passíveis de erro e acerto.

simpOs Simpsons , a família mais famosa das telinhas, acaba de ganhar um documentário em comemoração ao 20º aniversário. A produção irá se chamar The Simpsons 20th Anniversary Special in 3-D on Ice , dirigido por Morgan Spurlock ( Super Size Me – A Dieta do Palhaço ), de acordo com a Fox . Quando eles me chamaram para isso, eu achava que era uma brincadeira e eu desliguei , revelou Spurlock. E então o meu agente ligou de volta e disse, Não, não, isso é de verdade , e nessa altura eu desmaiei. Então, quando eu acordei, eu chamei a todos, porque eu sabia que era a melhor coisa que eu nunca poderia chegar a fazer na minha carreira , finalizou. The Simpsons 20th Anniversary Special in 3-D on Ice será exibido em 14 de janeiro no canal pago FOX . Durante este tempo de carreira, a família foi parar uma vez nas telonas no longa Os Simpsons – O Filme , lançado em 2007. A aventura arrecadou mais de US$ 527 milhões no mundo e recebeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Animação.

jacksonFinito. A sensação é estranha quando morre alguém que carrega em todo um background pop e cultural. Anos de decadência e escândalos não podem soterrar coisas incontestáveis. Nunca fui um grande fã, nem me arrisquei nos passinhos, mas incontáveis festinhas soaram sua música e sinto mesmo como o papel de parede de uma época. A admiração é um sentimento mais de reconhecimento de uma carreira que, no auge, atingiu tudo o  que poderia atingir, bem pensadas as formas mais variadas de talento, divulgação e espírito da época. Resta a boa obra. E pensar que uma carreira assim, com bom senso, traria tão bons frutos. Não deu…resta a certeza, a paz. Fique em paz, cara!

Realmente, gosto de escrever, e até pratico cartas, quando vejo motivo. Mas sou bem mais leitor. A leitura é como uma viagem sem cobrança, o livro está ali, generoso e sempre disposto. Ele aceita a companhia em qualquer ocasião, faça chuva, sol, esteja a pia cheia de pratos, esteja a casa tinindo de nova. No entanto, minhas fases me levam ao extremo e me comporto como o eremita que recusa tudo. Quer mais é comtemplar a loucura do mundo, seja a balbúrdia tediosa das coisas que nada dizem, seja o ritmo novelesco das engrenagens que se soltam e nos dão, de graça  até capítulos curtos e cômicos do que chamamos “ironia comezinha da vida”.  Só que preciso e sinto sim, necessidade de escrever. Com ou sem sofrimento.

barretoO erro é mais fácil de notar que o acerto. Em alguns aspectos, acertar significa pôr algo tão em ordem que passa despercebido. Assim pode ser um texto bem escrito: sua fruição é conseqüência de um esforço em torná-lo límpido, puro, simples. Às vezes, uma vida também é desse jeito. Quem me mostrou isso foi Barreto. Ou Geraldo Maciel.

Sabia demonstrar isso no melhor escritório que criou: o das palavras. Não dava conselhos, mostrava-os com arte. Era delicado o meu amigo, mas de um padrão vigoroso, de quem aprendeu com a matéria da vida. E a vida entranhou-se em tudo nos afazeres do contista. Tudo era matéria para a vida e para a arte. Atentem para qualquer conto, pegue um ou outro livro. Está ali. No conto Sandro Moretti não cria rugas, ele escreve: Minha mãe achava que cada um tinha o seu destino. Eu não pensava assim. Agora sei que minha mãe tinha razão. A vida me ensinou que o meu, como de todo mundo, está traçado e que deslizo sobre ele como um trem nos trilhos.

Ainda não me dou conta de sua ausência. É outra das artes de Geraldo Maciel.  Tinha os pés exatos para entrar e sair de cena. Imitação do estilo: escrevia como a preparar o dia de  viver. Revisava-se. Traduzia-se. Gostava do começo-meio-e-fim.  Equipou-se tão bem desse esquema que viveu com plenitude, deixando uma mesa posta com exemplos, um ar de calma urgência e dignidade no ofício literário.  Uma criatura tão rara.

A vida que ando colecionando aqui, no meu bairro (assumo a posse sempre do lugar que quero estar) são pequenos flashes banais que não querem colar para formar algo de sentido. Não importa muito. Viver às vezes só pede a sensação de estar vivo – e tomar consciência disso sem imposições maiores do que falava o poeta português: o que em mim sente está pensando.

Então saio na hora do crepúsculo ou no vai-e-vem dos carros, ou mesmo na sensação de que a tarde morre por cima do formigueiro humano. Não, não é uma confissão enquadrada em obviedades. Eu cruzo uma pequena parte da cidade com uma identidade que ele, o bairro, conseguiu impor. Eu sou um pequeno grão nesse areial. Com a sensação de que pesa a sacola do supermercado e as sandálias que deixam, agora, meus pés respirarem.

ursinho-pooh-chongas-gripe

Literatura feita por mulheres e homens que se fingem de. Este é o mote do Escritoras Suicidas, site de literatura onde poemas e contos são produzidos segundo motes. Com edições temáticas, a editora Silvana Guimarães agita a cena eletrônica com provocação e bom gosto.

suicidas

Vagando à noite, sob a luz esverdeada dos letreiros de néon, sentia frio. Chovera. Nas esquinas empoçadas, nos vidros das vitrines mal-iluminadas, se via refletida e não se reconhecia. Uma saudade de árvores lhe vazava o peito. Pensou em se jogar do viaduto. Demasiado urbano. Pensou em se jogar no rio. Mas não era rio aquela água escura e fétida cheirando a esgoto e desespero. Pensou em tantas saídas. Mas se escusou de entrar naquele teatro, que se dizia mágico, e se oferecia aos raros e aos loucos. Não, não era a hora de mostrar-se a si inteira e nua. Não agora. Não ainda.

márcia maia

(Conto surrupiado do site Mulheres Suicidas, em homenagem a uma amiga muito querida)

Eu gosto de títulos. Ontem mesmo estava com um, a folhear curiosamente no perímetro de uma livraria: A arte de recusar originais. Não vou citar o autor ainda. Fica para uma próxima. Eu gostaria de ter um escritório só de títulos. Estas cápsulas de sentido vendem horrores, quando bem produzidas. Olha aí o Campos de Carvalho. Não vendeu muito em vida, claro. Mas estava na frente de sua época. Como não se encantar com títulos assim (das obras dele)?: A lua vem da Ásia. A chuva imóvel. Vaca de nariz sutil. E essa maravilha que dispara em proparoxítonas: O púcaro búlgaro. Está bom, gastei um monte de títulos de um só autor. Chamo isso de preferência compulsiva, o que pode redundar, mas me deixa satisfeito. Aguardem. Ando remexendo minha gaveta. E o blog Verdura, soube, está atualizado, de uma amiga muito querida. Vão lá, que a preguiça pode virar utopia.