As férias do relógio estão em toda a parte, divididas em porções minúsculas tão universais que o pulso humano sequer sente. Uma taquicardia sem sons, essas folgas do relógio estão absorvidas por goles e sorvos de tempo e completam seus aniversários pungentes com distrações de inércia que mais parecem temporadas pulverizadas. Um relógio tira férias quando bem entende porque o patrão que o monitora constata apenas um tempo morto, registrado, e não sua pulsação constante, de onde é possível, nas selvas do minúsculo, esconder ócios de maquinário breve. Um relógio volta descansado dessas férias porque por si só não tem noção de tempo; seu coração é transferido para o desespero de quem o possui.

André Ricardo Aguiar