Venício é um investigador. Está inconformado com a morte do amigo policial, o Toninho. Encontrado no carro, numa praça esquecida de subúrbio, com 750 gramas de cocaína. Venício, dono de um fusquinha, paulista, durão e emotivo, é criação do ex-delegado e escritor Joaquim Nogueira, estréia auspiciosa com o seu romance Informações sobre a vítima. Confesso, a literatura policial tem um charme único: o quebra-cabeças é disposto sob um véu de aparências. Na verdade, desde que comecei a ler outros autores além de Agatha Christie, alternei minhas leituras entre dois tipos de histórias: as que lidam com o resultado do que já houve, ou seja, o crime foi consumado; e as que acompanham uma seqüência de fatos que acontecem durante a narração, como alguns romances de Raymond Chandler e Dashiell Hammett. O barato do livro do Nogueira não é tanto o crime, banal até certo ponto, que repete o noticiário da crônica policial de qualquer grande cidade. É sim, a ambientação, a ida aos bas-fond, os tipos curiosos, o jogo intricado do pouco que se sabe sobre a vítima e os interesses dos familiares, amigos e colegas de trabalho. O personagem soa autêntico, visto que o autor conviveu de dentro com o mundo que retrata. Para mim, a resolução do crime, seja bombástica ou banal, pouco importa. Já é muito o tanto de diversão e deleite que venho tendo com mais um produto nacional desse gênero que ganha cada vez mais o interesse das editoras. (Mais autores nacionais que indico: Rubem Fonseca, Luiz Alfredo Garcia-Roza).

 

André Ricardo Aguiar