Quis exportar as pequenas vidas do seu quintal para bem longe. Junto com os gatos roídos de sol e sarcasmo, junto com os vermes subterrâneos, o esmalte descascado da goiabeira. Isto tudo porque da janela, como um pescador que devolvesse os peixes, seus pensamentos iam se misturando sem critérios à falta de sentido que uma casa plantada no cotidiano emana, tirando lascas de um calendário que parece ancorar um ano que em nada é o ano que corre. Quis até certo ponto, até o momento em que os pensamentos submergiram como submarinos com remorso, ciente de que num canto distante da casa um apito anunciava o café a ferver – e a vida, impaciente, continuava.