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metrovi

 

Naquela estação tem um metrô fixo. Proposta de uma pequena empresa para os sem destino. Para quem não sabe onde pousar, para os cansados das chegadas e partidas, para os excêntricos. Um metrô com o mesmo comprimento da estação. Cujas portas se abrem, onde os passageiros tomam os assentos e recebem, através de projeções, imagens corridas de paisagens, bairros felizes, subúrbios idílicos. O metrô tem motores que acionam a trepidação e uma voz que anuncia paragens. É só um pouquinho mais caro que o metrô convencional. Mas já é um grande passo que o metrô não avance um metro.

 

André Ricardo Aguiar

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newseumComo ter na mesa, logo cedinho, a primeira página de um jornal da Dinamarca, o The Guardian, de Londres e a Gazeta Tema, da Albânia? Simples e divertido. É a idéia do interessante Newseum.  Basta dar uma olhadinha no mapa e clicar nos pontinhos, onde cada um representa um determinado jornal. O acesso é apenas para a primeira página, mas dar um visto nas principais manchetes do mundo, atualizadas todo dia, não é pouca coisa. Merece uma olhada.

 

CultPB

Hoje tem lançamento do website Cultpb (www.cultpb.com) no Casarão 34, às 19h, localizado na praça Dom Adauto, centro de João Pessoa. Fruto das reflexões das jornalistas Taísa Dantas e Érica Chianca. A matéria completa está no blog do jornalista Linaldo Guedes.

 

DA SÉRIE: CULTURA INÚTIL

Quem inventou o emoticon?

  

Como notar quando uma pessoa está sendo irônica ou rindo de uma piada quando ela está escrita na tela do computador? Em 1982, o professor Scott Fahlman sugeriu aos u- suários da lista de avisos eletrônica (BBS – uma tia-avó do orkut) da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA: “Coloque do lado da frase um :-)”. Hein? Ele explicou: “Incline a cabeça para ler”. Os professores acharam a idéia genial – afinal, uma carinha sorrindo era melhor que escrever “muito engraçado”. Na mesma discussão, alguém sugeriu uma alternativa: “Que tal um &? Parece um barrigudinho se contorcendo de rir!” Silêncio. O simpático dois-pontos, hífen e parêntese ganhou a disputa. Logo variações da idéia original para representar as emoções começaram a ser formuladas e foram batizadas de emoticons (“emoção + ícone”, em inglês).

 

Na Ásia, o pessoal não fica com torcicolo para ler os emoticons. Tudo é na horizontal. A risada, por exemplo, é (^.^). Isso porque, tradicionalmente, lá a emoção é mais delimitada pelos olhos que pela boca. No MSN dos japoneses, mande um (*_*) para mostrar admiração e um (>_<) quando estiver com raiva.

  

-(_8-(!) (Homer Simpson)

 

8:-) (Óculos na testa)

 

C|:-= (Charlie Chaplin)

 

:)(: (Beijo na boca)

 

%*@:-( (Ressaca)

 

:<}) (Sorriso com bigode)

 

@}—,— (Rosa)

 

\˜/\˜/ (Brinde)

 

Pedro Burgos, in Superinteressante.

Você que não teve tempo, condições (leia-se saco) pra ler aqueles grandes clássicos da literatura que todo mundo discute com pose de intelectual (mas que ninguém leu também), agora vai poder participar das discussões e ainda dar pinta de entendido com as novas “Versões Condensadas dos Clássicos da Literatura“!

 

Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust.

Gallimard, 1617 páginas.

 

Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1044, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (pág. 1433, vol. VII) onde estão todos muito velhinhos. E pronto.

 

Guerra e Paz, Leon Tolstoi.

Chartreuse,1200 páginas.

 

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.

 

Os Lusíadas, Luís de Camões.

Editora Lusitania, um monte de páginas.

 

Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.

 

Madame Bovary, Gustave Flaubert.

Pléiade, 778 páginas.

 

Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.

 

Romeu  e Julieta, William Shakespeare.

Oxford University Press, 437 páginas.

 

Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada,uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era energético.

 

Hamlet, William Shakespeare.

Oxford University Press, mais de 300 páginas, pô!

 

Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe, isso depois de falar com uma caveira e antes de morrer assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Ufa.

 

Édipo-Rei, Sófocles.

Várias edições, cada uma maior que a outra

 

Resumo: Maluco tira a maior onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta.


flipEu poderia começar o relato com o sentido de acordar sob protestos, da dificuldade de armar o pesado mecanismo do dia, e entender que colegas de ofício também estão no mesmo barco, e é sábado e faz sol e não é freqüente que se saia de uma cidade ainda adormecida de eventos e se vá para outro lugar, outras praias, outras literaturas – na verdade, o encontro delas, da nossa e dos outros, o que dá na mesma exatamente quando o evento é um misto de porto e turismo – no bom sentido, claro.

Com uma van garantida, um pouco da Paraíba teve voz na Festa Internacional de Porto de Galinhas, em Pernambuco. Da nossa trupe, poetas como Linaldo Guedes, Sérgio de Castro Pinto, Antonio Mariano, Ikaro Marx, além de Amanda Karla, Amanda 2, Bia Kelly e Veruza. Viagem prazerosa, e de certa forma, novidade para mim, afinal, aportei como marinheiro de primeira viagem.

A manhã foi produtiva, dentro do possível. A única ressalva é o pouco tempo que se reserva aos debates, limitando a fala dos participantes e, por conseqüência, fica-se com a impressão de que se raspou a superfície do tema. Ainda assim, as primeiras palestras tiveram bons momentos. Na primeira mesa, Sergio de Castro Pinto integrou-se a nomes como Cláudio Willer, José Paulo Cuenca, Raimundo Carrero, Bruno Pffardini e Vicente Franz Cecim para discutir a literatura contemporânea feita no Brasil. Na mesa seguinte, foi a vez de Linaldo Guedes, José Neumanne Pinto, João Gabriel de Lima, Quincy Troupe, Ronaldo Bressane, Raimundo Gadelha, Flavio Chaves e Garibaldi Otávio, com o tema: Quando o escritor é editor.

Em seguida, Márcia Maia, poeta e amiga, apresenta a mesa a Trajetória Off Flip na Fliporto, coordenando um bate-papo com Ovídio Poli Júnior e Lucila Nogueira, além de leitura de texto com Flávio de Araújo. Uma escapadinha para um lanche – não tinha nada no estômago desde que saí de João Pessoa. Uma escadaria me leva para o salão. Entre xícaras de café e bolinhos, conheço o escritor cubano José Millet, que me presenteou com um livrinho sobre Ali Primera, cujo subtítulo me põe na mesma ignorância: padre cantor del pueblo. Serve como registro e terei curiosidade de colocar alguma impressão depois da leitura arranhada de espanhol.

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Recital de Poesia Paraibana

Em seguida, pausa para almoço no belo litoral porto-galinhense (se diz assim?), juntando culinária e essa lacuna abstrata que o estômago cria. A tarde toda fomos ao sabor da corrente, com pequenos flagras de globais, um repórter, um ministro, mais paisagem marítima, etc. No começo da noite, rumo ao recital na Praça das piscinas naturais, com a presença de Bráulio Tavares, Raimundo Gadelha, Lenilde Freitas e os já citados andarilhos – e com direito a palhinha de Augusto dos Anjos, sempre atual. A apresentação ficou por conta de Heloísa Arcoverde de Morais (que também aproveitou para lançar a revista Eita!).

Enfim, não vou me estender mais do que já está disponível aqui: www.fliporto.net A viagem cumpriu-se com o sabor da união sempre esperada entre que vivem a literatura de todas as formas. De minha parte, Porto de Galinhas já é um itinerário a se pensar. Quem sabe nas próximas férias?

End:

 

Não há nada a fazer,

eu moro onde me perco.

São as mobílias que anotam

meus endereços mesquinhos:

a rua cada vez mais curta,

o arrabalde das folhas,

resquícios.

 

Não há muito o que guiar.

Habito sem direção

a treva que quase sufoca

tentando alcançar a lâmpada

dos cômodos da memória.

 

Mudar ou perder são continentes

idênticos, passagens

só de ida.

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Como poucos, cultivava a solidão. Quando, findo o trabalho na fábrica, rumava ao ponto de ônibus. Ou mesmo seguindo as anáguas da lua. Exausto, ancorava o dia e ligava a tv.

 

Uma noite encontrou o Pescador sentado na beira do sofá. Vara de pesca em punho, jogava a linha no fundo da sala e, intruso, esperava. Ficou sem saber o que dizer. Não conseguiria removê-lo do sofá. Com o passar dos dias, acabou aceitando a convivência. Mas evitava-o. Pôs a tv no quarto, em respeito ao silêncio do Pescador. E lia Hemingway na cozinha.

 

Era difícil suportar aquele código de espera, a economia de movimentos, o respirar matemático do sujeito. Além disso, aqui e acolá, surpreendia a linha costurada à sombra dos móveis, a tecer emboscadas. De uma feita, tomou do anzol sua meia de lã. Outro instante, feriu o tornozelo ao sair do banheiro. O Pescador apenas desenrolava ou enrolava o molinete, trepado no sofá, como se fosse um barco imóvel. Perscrutando os cômodos da casa.

 

Um dia o homem trouxe uns bolinhos de bacalhau.

Cuidando não se enredar na linha espalhada ali, foi desembrulhando a gula. Na cozinha, longe do olhar alheio, mordeu o primeiro pedaço. Mas quando sentiu um forte repuxo, debateu-se, o gosto metálico do anzol no céu da boca.

 

Em vão. Fisgado até a sala, arrastado pelo chão, foi pego com mãos fortes e rudes pelo Pescador, que o colocou no cesto, pôs fim à pescaria e sumiu.

 

(Conto extraído do Fábula Portátil, blog com parceria de Rosa Amanda Strauzs)

Uma prática inspirada chamada Book Crossing, vinda da Europa, e de simples execução, dissemina a leitura por um modo surpreendente. Eis a nota encontrada no site das Livrarias Curitiba.

 

Passe Adiante Corrente da Leitura

Há um livro perdido na cidade e ele é seu

 

Com o objetivo de criar uma corrente cultural para incentivar o hábito da leitura, difundir o conhecimento e dar condições para que as pessoas possam ler gratuitamente, desenvolvemos o Projeto Passe Adiante – Corrente da Leitura.

 

Nós deixamos vários livros em locais públicos para que as pessoas possam encontrá-los e levar para ler. São deixados em pontos de ônibus, dentro de ônibus, bancos de praças públicas, orelhões e também em bares, cinemas, restaurantes, parques, etc. Os livros recebem uma etiqueta na capa e na folha de rosto para explicar como funciona o projeto. Então, se você encontrar um livro perdido pela cidade e ele tiver uma etiqueta “Passe Adiante”, saberá que pode levá-lo para casa, ler e depois passar adiante novamente, deixando em algum local público para que outras pessoas possam encontrar e ler também. Se quiser, anote o seu nome, a cidade e a data na etiqueta que consta no livro, assim os próximos leitores poderão identificar por onde a obra já circulou.

 

Poesia na Maurício de Nassau

 

Compensadora foi a minha visita na Faculdade Maurício de Nassau. Quem coordenou o encontro foi o poeta

Evento poético na Mauricio de Nassau

Evento poético na Mauricio de Nassau

Antonio Mariano, que convidou Linaldo Guedes, Amanda Karla e a minha pessoa para um sarau poético. Aliás, a prática da roda de poesia sempre rende. Os alunos abraçam a prática de uma forma entre tímida e interessada. Poesia é uma porta pronta para ser usada. Livros espalhados no chão criam uma intimidade de pomar: o fruto está ao alcance, pode ser colhido.  Uns não gostam do microfone, preferem ler na voz natural. Outros pegam o livro que chama a atenção. Talvez um poeta que está descobrindo agora. E pegam a ler mais poemas do autor fisgado. Há poemas que causam o riso, seja pelo teor que ainda é tabu (como criança que experimenta a expressividade cômica de um palavrão, e ri nervosa), seja pelo que diz profundamente aquele algo disposto de uma forma inovadora. A noite na Nassau me soube bem. Melhor ainda o depois, estar com os amigos escritores numa mesa de bar, da boemia recuperada.

Fiz um curso de leitura rápida e li “Guerra e Paz” em vinte minutos. Fala sobre a Rússia. woody-allen

 

Na Califórnia não se deita o lixo fora. É reciclado e transformado em programas de TV.

 

Quando eu era pequeno os meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Então passaram a bater-me a toda a hora para ver se eu parava com aquilo.

 

Fui expulso da universidade por causa do exame de Metafísica. O professor acusou-me de estar a olhar para a alma do rapaz do lado.

 

Quer fazer Deus rir? Conte-lhe os seus planos para o futuro.

 

 

raindrops

A chuva aparece de mãos dadas, finíssimas, com o mundo. Veio um cavaleiro abstrato e feroz e cortou a delinqüência da água em mil cabeças. Descem degoladas em choro, em rios para acontecer, em tempestades mínimas e pegajosas. Não se pode fotografar a chuva por inteiro. Nem defini-la em serões e estranhos barulhos pelo embate das coisas que são fustigadas por quase invisíveis chicotes de água e frio. Mesmo assim, deixo uma prece. Que a chuva (as menores são vendidas em borrifos) não venda a sua noção, nem seja desenraizada de seus nimbos e cúmulos, nem transformada em medição pluviométrica para geógrafos. Não resisto a um ataque de lirismo quando vejo o seu efeito: um pequeno poste resistindo em sua fraca luz ao vapor dos deuses. Há beleza nesta solidão.

 

Mínimas

  

Catalogar livros será o meu ofício nos próximos meses. Acho que minha biblioteca alcançou um número suficiente para isso. Não tenho dificuldades, claro, em localizar o que quer que seja, de um romance sobre os tártaros, um poema sobre uma zebra, resenha de filmes, zoologias fantásticas. O gosto está mesmo no exercício da coleção, de estabelecer uma ordem, de administrar o butim literário. Um programinha existe e é gratuito, o Minibiblio.

 

Orquestra Sinfônica de São Paulo

 

Oportunidade única, assistir a apresentação da Osesp, sob a regência do maestro John Neschiling, dia 7 de novembro, às 20h na praia de Tambaú. No programa, Russlan e Ludmila”, de Mikhail Glinka. Continua com “Il Guarani: Abertura”, de Antônio Carlos Gomes e “A Força do Destino: Abertura”, de Giuseppe Verdi. Ainda poderão ser apreciados o “Concerto nº 1 para Violino em sol menor, Op.2 6: 3º movimento”, de Max Bruch, e “Reisado do Pastoreio: Batuque”, de Oscar Lorenzo Fernandez. Um grande final está programado para fechar o concerto. Serão executados “Capricho italiano, Op.45”, de Pyotr I. Tchaikovsky, “Os Mestres Cantores de Nümberg: Abertura”, de Richard Wagner, e uma composição bem conhecida dos paraibanos, “Bolero”, de Maurice Ravel.

 

Classificados

 

 

Vende-se

uma casa assombrada

quase sem mistério

varanda, salas e quartos

e com os fundos

para o cemitério.

 

Vende-se

com garantia de sossego.

Só tem uns barulhos

de fato – e não é rato:

é o fantasma que sempre

tropeça nos sapatos.

 

Vende-se

com portas que rangem,

janelas que batem,

objetos que voam

de supetão.

 

Tudo no mais perfeito estado

de assombração.

 

 

(Poema que integra minha mais recente obra infantil, ainda sem título)