flipEu poderia começar o relato com o sentido de acordar sob protestos, da dificuldade de armar o pesado mecanismo do dia, e entender que colegas de ofício também estão no mesmo barco, e é sábado e faz sol e não é freqüente que se saia de uma cidade ainda adormecida de eventos e se vá para outro lugar, outras praias, outras literaturas – na verdade, o encontro delas, da nossa e dos outros, o que dá na mesma exatamente quando o evento é um misto de porto e turismo – no bom sentido, claro.

Com uma van garantida, um pouco da Paraíba teve voz na Festa Internacional de Porto de Galinhas, em Pernambuco. Da nossa trupe, poetas como Linaldo Guedes, Sérgio de Castro Pinto, Antonio Mariano, Ikaro Marx, além de Amanda Karla, Amanda 2, Bia Kelly e Veruza. Viagem prazerosa, e de certa forma, novidade para mim, afinal, aportei como marinheiro de primeira viagem.

A manhã foi produtiva, dentro do possível. A única ressalva é o pouco tempo que se reserva aos debates, limitando a fala dos participantes e, por conseqüência, fica-se com a impressão de que se raspou a superfície do tema. Ainda assim, as primeiras palestras tiveram bons momentos. Na primeira mesa, Sergio de Castro Pinto integrou-se a nomes como Cláudio Willer, José Paulo Cuenca, Raimundo Carrero, Bruno Pffardini e Vicente Franz Cecim para discutir a literatura contemporânea feita no Brasil. Na mesa seguinte, foi a vez de Linaldo Guedes, José Neumanne Pinto, João Gabriel de Lima, Quincy Troupe, Ronaldo Bressane, Raimundo Gadelha, Flavio Chaves e Garibaldi Otávio, com o tema: Quando o escritor é editor.

Em seguida, Márcia Maia, poeta e amiga, apresenta a mesa a Trajetória Off Flip na Fliporto, coordenando um bate-papo com Ovídio Poli Júnior e Lucila Nogueira, além de leitura de texto com Flávio de Araújo. Uma escapadinha para um lanche – não tinha nada no estômago desde que saí de João Pessoa. Uma escadaria me leva para o salão. Entre xícaras de café e bolinhos, conheço o escritor cubano José Millet, que me presenteou com um livrinho sobre Ali Primera, cujo subtítulo me põe na mesma ignorância: padre cantor del pueblo. Serve como registro e terei curiosidade de colocar alguma impressão depois da leitura arranhada de espanhol.

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Recital de Poesia Paraibana

Em seguida, pausa para almoço no belo litoral porto-galinhense (se diz assim?), juntando culinária e essa lacuna abstrata que o estômago cria. A tarde toda fomos ao sabor da corrente, com pequenos flagras de globais, um repórter, um ministro, mais paisagem marítima, etc. No começo da noite, rumo ao recital na Praça das piscinas naturais, com a presença de Bráulio Tavares, Raimundo Gadelha, Lenilde Freitas e os já citados andarilhos – e com direito a palhinha de Augusto dos Anjos, sempre atual. A apresentação ficou por conta de Heloísa Arcoverde de Morais (que também aproveitou para lançar a revista Eita!).

Enfim, não vou me estender mais do que já está disponível aqui: www.fliporto.net A viagem cumpriu-se com o sabor da união sempre esperada entre que vivem a literatura de todas as formas. De minha parte, Porto de Galinhas já é um itinerário a se pensar. Quem sabe nas próximas férias?