Memorando

            A favor de Benedetti.

 

 

Agendo os desvios. Tropeço os acertos.

Dobro o mapa até que o cansaço faça vinco.

A rua dobra-se de dor numa esquina.

 

Não faço vento com os segredos.

Não perdôo as nuvens que se fixam.

Tenho mais de um deus, caso me falte.

 

Anoto os recados que a carne irradia.

Não peço informações, não procuro a saída,

não creio que haja memória suficiente.

 

O amor se envenena de seus antídotos.

Registro isso e as borboletas mais velhas

caem do calendário.

 

Não se ama também com a ausência?

 

 

André Ricardo Aguiar