Os argonautas


Os mortos com seus sapatos ébrios.

Quem os detém? Beberam os licores

da perda e andam por corredores

com suas certezas de pó, desafagos,

suas bíblias da inércia.

Parecem dizer algo, anúncio de verme.

Às vezes, cismam e por instantes

folheiam o vento, habitam

uma fotografia, pesam uma lágrima.

Não os tivessem tocado, e o batismo

geral  ou a relva inconcebível

voltariam a arquivá-los

numa lua de esquecimento.