Renato Alarcão in A cartomante

Renato Alarcão in A cartomante

A minissérie Capitu já terminou e ainda fico na dúvida se gosto ou detesto. Eu tenho essa mania, uma coisa no calor do momento me chama a atenção, e às vezes, me nubla – sobretudo em momentos em que tenho mil coisas para resolver e minha cabeça fica um tumulto. Depois, mais descansado, paro e penso. E leio matérias esclarecedoras que coloca um outro ângulo…por sinal, o ângulo que coincide com o que eu gostaria de ver. Acho que a coluna do Diogo Mainardi (veja no blog de Amanda K)tem suas sacadas sim. Os carvalhistas de plantão que me perdoem, mas ainda assim preferia ver a adaptação de Dom Casmurro com a pena da galhofa e da melancolia, um pouco menos over, menos circense. Até porque, como o amigo Linaldo Guedes citou, qual foi a última adaptação de fôlego que seguiu um bom e velho esquema começo-meio-fim? Tudo agora são pirotecnias, como se só valessem, na transposição do papel para a tela, unir obra e espetáculo visual, em detrimento até da alma narrativa da história. Gostei, confesso, de muitas cenas da minissérie – e os olhares de ressaca foram fiéis. Não tiro o capricho cenográfico nem as sacadas visuais de Luiz Fernando Carvalho. Mas Machado já é denso o suficiente, tem texto que competentemente levaria força dramática e humor em doses fartas numa adaptação fiel sem estar sob a lona do circo.

 

Sobre conto e roteiro

 

Segunda-feira, ontem, foi um dia interessante para mim. Fui convidado por Bertrand Lira para uma conversa com sua turma de Roteiro, lá no Decom-UFPB. Na pauta do encontro, para conversar sobre adaptação e também um comentário crítico sobre dois contos meus: A mulher inflável e Casa de bonecas. Eu sempre vejo com simpatia esses encontros para falar de literatura, e quem sabe, aprender um pouco mais outros olhares. E esse estímulo é minha melhor alavanca. Fica o bom registro de mais um momento que guardo com carinho.