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Melhor Filme
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost Nixon
O Leitor
Quem Quer Ser Um Milionário?
Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?)
Stephen Daldry (The Reader)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost Nixon)
Gus Van Sant (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor Ator
Frank Langella (Frost Nixon)
Sean Penn (Milk)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)
Richard Jenkins (The Visitor)

Melhor Atriz
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)
Melissa Leo (Rio Congelado)

Melhor Ator Coadjuvante
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Michael Shannon (Foi Apenas Um Sonho)
Josh Brolin (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Marisa Tomei (The Wrestler)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Melhor Roteiro Original
Wall-E, de Andrew Stanton e Pete Docter
Milk – A Voz da Igualdade, de Dustin Lance Black
Na Mira do Chefe, de Martin McDonagh
Rio Congelado, de Courtney Hunt
Simplesmente Feliz, de Mike Leigh

Melhor Roteiro Adaptado
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Eric Roth e Robin Swicord
Dúvida, por John Patrick Shanley
Frost Nixon, por Peter Morgan
O Leitor, por David Hare
Quem Quer Ser Um Milionário?, por Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro
Entre os Muros (França)
Der Baader Meinhof Komplex (Alemanha/ França/ República Tcheca)
Departures (Japão)
Revanche (Áustria)
Valsa com Bashir (Israel/ Alemanha/ França/ EUA)

Melhor Animação
Bolt – Supercão
Kung Fu Panda
Wall-E

Melhor Fotografia
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
O Leitor
Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Direção de Arte
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas Um Sonho

Melhor Figurino
Austrália
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa
Milk – A Voz da Igualdade
Foi Apenas Um Sonho

Melhor Som
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
Quem Quer Ser Um Milionário?
Wall-E
O Procurado

Melhor Efeitos Sonoros
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Quem Quer Ser Um Milionário?
Wall-E
O Procurado

Melhor Montagem
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Quem Quer Ser Um Milionário?
Milk – A Voz da Igualdade
Frost Nixon

Melhor Efeitos Visuais
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button
Hellboy II – O Exército Dourado
Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Trilha Sonora
O Curioso Caso de Benjamin Button, de Alexandre Desplat
Defiance, de James Newton Howard
Quem Quer Ser Um Milionário?, de A.R. Rahman
Milk – A Voz da Igualdade, de Danny Elfman
Wall-E, de Thomas Newman

Melhor Canção
Down To Earth, de Wall-E
Jai Ho, de Quem Quer Ser Um Milionário?
O Saya, de Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta-Metragem (animação)
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato
Lavatory – Lovestory, de Konstantin Bronzit
Oktapodi, de Emud Mokhberi e Thierry Marchand
Presto, de Doug Sweetland
This Way Up, de Alan Smith e Adam Foulkes

Melhor Curta-Metragem
Auf der Strecke (On the Line), de Reto Caffi
Manon on the Asphalt, de Elizabeth Marre e Olivier Pont
New Boy, de Steph Green e Tamara Anghie
The Pig, de Tivi Magnusson e Dorte Høgh
Spielzeugland (Toyland), de Jochen Alexander Freydank

Melhor Curta-Metragem (documentário)
The Conscience of Nhem En
The Final Inch
Smile Pinki
The Witness – From the Balcony of Room 306

Melhor Documentário
The Betrayal
Encounters at the End of the World
The Garden
Man on Wire
Trouble the Water

O fato ganhou proporções imprevistas até para quem achava que o acidente era de rotina. Escadas rolantes, no entanto, são dos meios de transportes mais seguros que se tem notícia. Isso até aquela manhã em que dois adolescentes, sendo a mais nova com 17 anos, e um rapaz que carregava uma mochila, foram tragados por um degrau defeituoso, fazendo com que as lâminas de encaixe servissem como trituradores. Daniela foi a primeira a notar algo estranho. Ela estava a 7 degraus das vítimas e notou o esguicho de sangue e um barulho, como se uma máquina de caldo de cana cuspisse bagaços por fora. Em pouco tempo, respingados e em pânico, tentaram por todos os meios convencer os outros que no fim da escada acontecia um acidente (aliás, o acidente em si estava em processo, dado os resquícios de gritos e muita dor da adolescente, mutilada até o quadril mas ainda consciente da mordida).

A longa escada, uma das maiores da região, fora equipada com poderosas engrenagens do tipo em que qualquer coisa que pisar o degrau será levada, sob quaisquer circunstâncias, ao piso superior. Como agravante, as novas levas de passageiros não estavam nem aí com o tumulto – a turma sabedora do acidente forçando a turma louca pela liquidação da loja de eletrodomésticos – e fingiam fleuma e determinação em avançar, mesmo com a escada subitamente aos solavancos. A essa altura, apenas uma cabeça esmigalhada despedia-se aos poucos, a beira da bocarra de ferros, sendo engolida e dando início a mais uma aceleração, enquanto os vigias do shopping, munidos de walk-talkies, solicitavam reforços para conter o tumulto e possíveis novas vítimas.

Independente do shopping ainda ter como bons serviços os elevadores panorâmicos, e mais um grupo de senhoras – junto com a adolescente e testemunha ocular do primeiro acidente – entalarem e sofrerem as primeiras mutilações, a loja em liquidação, a esquerda da escada rolante, continuava anunciando suas ofertas para os clientes que, com algum cuidado, pulavam ao modo indiana jones os degraus e chegavam, pedindo alguma coisa para limpar do sangue e claro, sacar o cartão de crédito ainda intacto.


No período de férias aproveito para colocar as leituras em dia. E olhe que o balaio só aumenta. Por conta da minissérie Maysa, exibida na Globo, estou lendo a biografia escrita pelo Lira Neto, muito reveladora, muito bem escrita. Aliás, o próprio criticou a minissérie por simplificar a cantora, além de distorcer muitos fatos, o principal deles, a supressão de Nara Leão que parece nunca ter existido.

Também leio O Mal de Montano, romance de Enrique Villa-Matas que trata, através de um personagem, da obsessão pela literatura. No mínimo interessante, mas que pode algumas vezes tornar-se repetitivo e pretensioso. Só vou saber lendo-o.

Por último, terminando A viagem do elefante, do Saramago. Sempre um prazer ler o autor de Ensaio sobre a cegueira. E este romance consegue unir leveza e peso. Muito bom.

O ciclista

à flor veloz

colhe o tempo

(pedal)

pé ante perigo

no risco de dar consigo

centauro de rodas e aros,

meio homem, meio

de transporte

a pena da bicicleta

escreve ruas

até que uma esquina

engatilha o ciclista

e dispara –

a pólvora do instante

o ciclo da vida

tudo pássaro

e passageiro.

Comecei a me achar. Não preciso ir muito além do que existe, onde existo. A voz da professora é tônica, pós-tônica, pré-tônica, fala as palavras com todas as letras.

– Venha ao quadro-negro!

Evidente e correto: mas hesito. Aliás, nem gosto tanto assim. O colégio já é perto de minha casa, é manhã, tempo e espaço não são inimigos. A professora ganhou um rosto e um corpo e tem um ar mais maternal. Ensina tudo. Inclusive boas maneiras. Se o menino ao lado cutuca o nariz, disfarça bem.

– Regra de três simples: uma carroça percorre 10 km em duas horas, em quantas horas…

O desejo que conhecer a resposta das coisas. Com outra roupagem. Parece que um pirata, um vilão se esconde atrás de um problema de matemática. O mundo é pequeno e pode ser apreendido em quatro matérias, dois tipos de atividade (dever de classe, de casa), muita cópia, ditado, um recreio bobo.

Estou numa escola pública, afinal. De dimensões minúsculas. Pequena, com um pátio no centro e classes circundantes. Sua anatomia pedagógica é enfadonha. O terror de ter saído do útero está diluído. No meio do burburinho das vozes do recreio poderia até garimpar outros sons, quiçá os domésticos: minha mãe lavando roupa no tanque: o colégio mora na mesma rua de minha casa.

É o terceiro ano. Aos poucos, vou me soltando. Para o quê? A idéia que tenho de educação é vaga. Não questiono: Deus criou o céu e a terra, os dias e as semanas, as aulas e as folgas. Por uma lei estranha, as folgas, quando longas, são curtas; as aulas, quando curtas, infinitas.

Com o tempo, vou tomando gosto por História do Brasil. Já tem paladar. Livros com gravuras, fatos históricos, um passado imutável. Tiradentes impressiona pelo nome. Capitanias hereditárias não soa, nem ressoa. Ciências, assim no plural. Os planetas. Os estímulos continuam vagos. Estou me encontrando?

Ainda cometo, por acaso, desvios de disciplina.

Uma idéia de heroísmo tolo, quando se quer impressionar a menina mais bonita da classe. Se bem que é quase opressiva a timidez com que me vestia. A porta da classe era um portal entre meu mundo e aquela imensa e desconfortável sensação de tribunal que uma classe cheia causava. Respirar aliviado e ter ao alcance uma janela, ver a natureza.

Adoro a chuva. Passo a gostar do recreio.

Chuva e recreio. Brincamos na lama, chapinhantes. Eu e meus colegas. A brincadeira se estende além do tempo no beco do recreio, a professora não deixa por menos. “Pinto molhado não entra na sala de aula”. E acabou me mandando embora.

Daquele ano eu só lembro bem o céu nublado e a liberdade dada de improviso.

Já é o início de 2009 e entre cobranças e adiamentos, estou eu aqui de novo, pronto pra outra. Eu levo um tempinho a mais para me tocar que o ano começou. E tomar conhecimento de que coisas acontecem.

Como estou de férias, meu ritmo está mais calmo. Comecei o ano pondo as leituras em dia, os filmes em dia, os escritos idem. Com novo material, um livro infantil e voltando a ter a alegria de compartilhar contos no Clube do Conto.

Este ano também começo a ter idéias para compartilhar um pouco o meu gosto por leituras e preparo, se possível, uma oficina de texto, redação criativa.

No mais, se não escrevi ainda em diário (uma agenda na mão sempre me instiga a escrever mais que contas a pagar…) é porque acho melhor o espaço virtual. Tentarei, um pouco como Borges, escrever a vida em ficção do qual faço parte, porque a literatura sempre substitui com relativa segurança, a pouca vida que insiste em grassar em dias inócuos.

Felicito ainda as candidaturas de Ricardo Anísio e Antonio Mariano para a Academia Paraibana de Letras. São pessoas culturais, com bagagem para isso.

E agradeço a continuidade das velhas amizades, além da imprevisibilidade de outras novas que aparecem no horizonte.

Bom dois-mil-e-nove para todos.