antologiaE saiu a antologia do Clube do Conto. Um livrinho que, a despeito de acertos e falhas, tem uma qualidade simbólica. É o resultado, sim, de uma fogueira que reuniu contistas, amigos e histórias e que nenhuma vaidade tornou em cinzas. Recebemos pela Funjope que acompanhou mas ainda não conseguiu medir a natureza desse grupo. É um organismo anárquico que busca o prazer de partilhar histórias. É uma caravana mínima de gente muito talentosa, sobretudo para a fofoca criativa, o causo urbano, a lenda minimalista, o chiste de carteirinha, a bula e o bulício. Faz estardalhaço sem terremotos. Agora o grupo tem um livro, uma dezena de contos – embora esteja perto do milheiro impresso em folhas, catalogado por Dora Limeira. O Clube do Conto, vale dizer, começou no mais improvável dos lugares, o shopping, reunião para surdos e cegos do consumo em prol daquela coisa de alcova a que chamamos palavra, mas que comporta outros significados metafóricos: almofada, fogueira, alavanca, lâmina. Cresceu e tomou gosto pelo boca a boca e virou confraria de imediato, com gente passando a senha das histórias para outras gentes, e do riso fez-se mais riso, e houve galhofa, motivação, tema e sorteio. Houve também novas gentes, abre-te-sésamos, abracadabras, mil e um sábados. Passou por temas como casamento, vampiro, celular, mitos, bibliotecas, portas até os mais insuspeitados indícios de que aquilo não tinha fim. E não teve, como bem quis Borges e Suassuna. Deu no que deu. Deu no Globo, no Liceu, na cidade, na praça, de bar em bar. Sábado ficou sendo o dízimo do diz-que-me-diz, mesmo que fiéis e infiéis se alternassem entre o sumiço e o reencontro. E aí está para quem quiser comprovar. A praça não é só do povo, é do conto. E agora, é do livro também.

(Histórias de Sábado, Editora Liceu)