Bato na palavra até que ela me dê a alma.

Mais ou menos isso que o querido Ronaldo Monte disse em depoimento ao Tome Prosa, Tome Poesia. Concordo. E acrescento: se todos os que mexem com a palavra entendessem isso e apresentassem um projeto mais acabado, mais coerente. Não é o que acontece. Acontece uma grande surra e as palavras quedam inermes, exangues. Fica a sensação de que a alma fugiu entre um sopapo e outro. Ronaldo, poeta, cronista, contista e romancista. Em todo projeto seu, a sensação de que soube domar a palavra. Bateu e não levou.

 

Chega de medidas. Planejamos, centímetro a mais ou a menos, quando uma felicidade ou tristeza ganha relevo. Tentamos colocar tudo no mundo das corporações (eu ia dizer comparações). Se o saldo não for positivo, segundo a felicidade ou a ambição da moda, então, pronto, o script é pôr a angústia num vaso para que se contemple: são flores que segundo o ângulo, podem cheirar levemente ou parecer tolas demais para compor uma delicadeza. Delicado e humano se solidarizam. Mas apenas quando se perdem.