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jacksonFinito. A sensação é estranha quando morre alguém que carrega em todo um background pop e cultural. Anos de decadência e escândalos não podem soterrar coisas incontestáveis. Nunca fui um grande fã, nem me arrisquei nos passinhos, mas incontáveis festinhas soaram sua música e sinto mesmo como o papel de parede de uma época. A admiração é um sentimento mais de reconhecimento de uma carreira que, no auge, atingiu tudo o  que poderia atingir, bem pensadas as formas mais variadas de talento, divulgação e espírito da época. Resta a boa obra. E pensar que uma carreira assim, com bom senso, traria tão bons frutos. Não deu…resta a certeza, a paz. Fique em paz, cara!

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Realmente, gosto de escrever, e até pratico cartas, quando vejo motivo. Mas sou bem mais leitor. A leitura é como uma viagem sem cobrança, o livro está ali, generoso e sempre disposto. Ele aceita a companhia em qualquer ocasião, faça chuva, sol, esteja a pia cheia de pratos, esteja a casa tinindo de nova. No entanto, minhas fases me levam ao extremo e me comporto como o eremita que recusa tudo. Quer mais é comtemplar a loucura do mundo, seja a balbúrdia tediosa das coisas que nada dizem, seja o ritmo novelesco das engrenagens que se soltam e nos dão, de graça  até capítulos curtos e cômicos do que chamamos “ironia comezinha da vida”.  Só que preciso e sinto sim, necessidade de escrever. Com ou sem sofrimento.

barretoO erro é mais fácil de notar que o acerto. Em alguns aspectos, acertar significa pôr algo tão em ordem que passa despercebido. Assim pode ser um texto bem escrito: sua fruição é conseqüência de um esforço em torná-lo límpido, puro, simples. Às vezes, uma vida também é desse jeito. Quem me mostrou isso foi Barreto. Ou Geraldo Maciel.

Sabia demonstrar isso no melhor escritório que criou: o das palavras. Não dava conselhos, mostrava-os com arte. Era delicado o meu amigo, mas de um padrão vigoroso, de quem aprendeu com a matéria da vida. E a vida entranhou-se em tudo nos afazeres do contista. Tudo era matéria para a vida e para a arte. Atentem para qualquer conto, pegue um ou outro livro. Está ali. No conto Sandro Moretti não cria rugas, ele escreve: Minha mãe achava que cada um tinha o seu destino. Eu não pensava assim. Agora sei que minha mãe tinha razão. A vida me ensinou que o meu, como de todo mundo, está traçado e que deslizo sobre ele como um trem nos trilhos.

Ainda não me dou conta de sua ausência. É outra das artes de Geraldo Maciel.  Tinha os pés exatos para entrar e sair de cena. Imitação do estilo: escrevia como a preparar o dia de  viver. Revisava-se. Traduzia-se. Gostava do começo-meio-e-fim.  Equipou-se tão bem desse esquema que viveu com plenitude, deixando uma mesa posta com exemplos, um ar de calma urgência e dignidade no ofício literário.  Uma criatura tão rara.

ursinho-pooh-chongas-gripe

Eu gosto de títulos. Ontem mesmo estava com um, a folhear curiosamente no perímetro de uma livraria: A arte de recusar originais. Não vou citar o autor ainda. Fica para uma próxima. Eu gostaria de ter um escritório só de títulos. Estas cápsulas de sentido vendem horrores, quando bem produzidas. Olha aí o Campos de Carvalho. Não vendeu muito em vida, claro. Mas estava na frente de sua época. Como não se encantar com títulos assim (das obras dele)?: A lua vem da Ásia. A chuva imóvel. Vaca de nariz sutil. E essa maravilha que dispara em proparoxítonas: O púcaro búlgaro. Está bom, gastei um monte de títulos de um só autor. Chamo isso de preferência compulsiva, o que pode redundar, mas me deixa satisfeito. Aguardem. Ando remexendo minha gaveta. E o blog Verdura, soube, está atualizado, de uma amiga muito querida. Vão lá, que a preguiça pode virar utopia.

 

Os seios de minha amada

não impedem a luz do sol

 

são altares onde as andorinhas

brincam de existir

 

um pouco mais ao sul

(corte rápido e vermelho)

descobri um pomar-para-dedos

 

onde o pouso de barco

abranda uma língua de sede

 

onde os poros da carne

não me tomam por cego

mesmo sem os tatos

 

da luz.

Ronaldo Monte, contista e membro do clube do conto, tem uma predileção: pinçar-me como personagem nas situações mais vexatórias. Eu, claro, me divirto. São vários contos cometidos ao sabor das circunstâncias. Já tentei vingar-me usando-o, o contista, como personagem. Só saiu-me um conto mal-ajambrado. Este, disponível aqui e no blog do Rona, merece crédito: tão distante e tão perto de mim.

ROUPA ÍNTIMA

Não se deve deixar roupas íntimas penduradas na maçaneta interna da porta do banheiro. É possível que elas sejam esquecidas lá por muito tempo e não se pode medir as consequências desse esquecimento.

André havia se mudado para aquele apartamento há menos de uma semana. Era a primeira noite de sexta-feira que passava na nova casa. Por isso, a primeira coisa que quis fazer quando chegou do trabalho foi tomar um longo banho. Depois ia bebericar um uísque e pensar com quem fazer a inauguração. Uma namorada ou um punhado de amigos mais chegados que não reparassem na desarrumação.

Entrou no banheiro e sorriu com o hábito de fechar a porta. Lembrou-se que Antônio Maria dizia que a única vantagem de morar só é poder ir ao banheiro e deixar a porta aberta. Mas a água já escorria morna. A porta aberta ficava para a próxima vez.

André ainda esfregava a cara com a toalha quando viu um sutiã pendurado na maçaneta da porta. Bem que podia ser de uma de suas namoradas, quis pensar, mas logo se lembrou que nenhuma delas ainda estivera ali. Só podia ser da antiga inquilina.

Por um súbito e inexplicável pudor, André não tocou no sutiã. Não era direito pegar numa coisa tão íntima de uma pessoa que não conhecia. A toalha já enrolada na cintura, sentou-se na bacia sanitária e ficou estudando a peça pacientemente. De aparência um pouco desgastada, parecia reservado ao uso doméstico ou em saídas rápidas sob uma camisa de meia. Os bojos eram de tamanho mediano, mas o elástico desgastado sugeria um excesso de volume a ser sustentado. Seios ligeiramente fartos, concluiu André. E imaginou a totalidade do busto que ali se ajustaria.

Concluída a construção da parte superior, passou a deduzir o restante do corpo que habitara o seu banheiro. Simetria entre busto e quadris era coisa de miss dos anos sessenta. André preferia ver as ancas um pouquinho mais estreitas que o perímetro superior, mas fartas o suficiente para delinear uma curva descendente em direção ao ventre, estando a dona lendo um livro deitada de lado, uma das mãos apoiando a cabeça.

A cabeça. Eis um enigma enorme para André. Um corpo assim exigia cabelos longos. Longos e negros. Mas a mulher não podia ficar assim, só cabelos. Precisava de um rosto com olhos para ler o livro. Teria óculos, como toda mulher que lê na cama. E uma boca com lábios carnudos para balbuciar uma frase aqui e ali. E precisava de mãos delicadas para segurar o livro e passar as páginas. Faltavam ainda coxas, pernas e pés para que a dona se mexesse a cada passagem mais excitante da leitura.

André se vestiu apressado e deixou o quarto sem fazer barulho para não atrapalhar a leitura da mulher. Foi para a sala, preparou seu uísque, mas não telefonou para ninguém. Bebericou a dose e ali mesmo, no sofá, caiu no sono.

Quando André acordou na manhã do sábado, a luz do quarto ainda estava acesa. Escutou virar uma página de livro. Viu que não tinha nada para o café a manhã. Calçou as sandálias, levantou-se sonolento e falou alto em direção ao quarto: vou ali na padaria comprar alguma coisa. Volto já.

Ronaldo Monte

Para os amantes de livros, a novidade pode ser boa. O Skoob é um site que literalmente permite que o usuário monte sua estante virtual (e compartilhe com outros amigos seus gostos, suas avaliações, seu desejo de ler outras obras). É uma tendência agora mais corriqueira, através do sistema que tornou popular sites de relacionamento: uma página de perfil, contatos, forma de interação. No caso do Skoob (livros em inglês, ao contrário), as obras são as estrelas. Depois do cadastro, o sistema de busca localiza autor, obra ou usuário. No detalhe do perfil, cada livro lido e incluído acrescenta páginas no paginômetro. Pode-se resenhar as obras, dar opiniões, sugerir. Nada mal.

Ode ao café

A xícara sobre

vive no por

do sol negro

e fumegante.

Lentamente

de um lago

germina

flor metálica

que colho

do pólen

dos dedos,

(às voltas

com as margens

de porcelana

chinesa)

que a gira

faz um tempo

coando em mim

uma espera

de gole

profundo

do café.

Melhor Filme
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost Nixon
O Leitor
Quem Quer Ser Um Milionário?
Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?)
Stephen Daldry (The Reader)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost Nixon)
Gus Van Sant (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor Ator
Frank Langella (Frost Nixon)
Sean Penn (Milk)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)
Richard Jenkins (The Visitor)

Melhor Atriz
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)
Melissa Leo (Rio Congelado)

Melhor Ator Coadjuvante
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Michael Shannon (Foi Apenas Um Sonho)
Josh Brolin (Milk – A Voz da Igualdade)

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Marisa Tomei (The Wrestler)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Melhor Roteiro Original
Wall-E, de Andrew Stanton e Pete Docter
Milk – A Voz da Igualdade, de Dustin Lance Black
Na Mira do Chefe, de Martin McDonagh
Rio Congelado, de Courtney Hunt
Simplesmente Feliz, de Mike Leigh

Melhor Roteiro Adaptado
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Eric Roth e Robin Swicord
Dúvida, por John Patrick Shanley
Frost Nixon, por Peter Morgan
O Leitor, por David Hare
Quem Quer Ser Um Milionário?, por Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro
Entre os Muros (França)
Der Baader Meinhof Komplex (Alemanha/ França/ República Tcheca)
Departures (Japão)
Revanche (Áustria)
Valsa com Bashir (Israel/ Alemanha/ França/ EUA)

Melhor Animação
Bolt – Supercão
Kung Fu Panda
Wall-E

Melhor Fotografia
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
O Leitor
Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Direção de Arte
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas Um Sonho

Melhor Figurino
Austrália
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa
Milk – A Voz da Igualdade
Foi Apenas Um Sonho

Melhor Som
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
Quem Quer Ser Um Milionário?
Wall-E
O Procurado

Melhor Efeitos Sonoros
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Quem Quer Ser Um Milionário?
Wall-E
O Procurado

Melhor Montagem
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Quem Quer Ser Um Milionário?
Milk – A Voz da Igualdade
Frost Nixon

Melhor Efeitos Visuais
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button
Hellboy II – O Exército Dourado
Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Trilha Sonora
O Curioso Caso de Benjamin Button, de Alexandre Desplat
Defiance, de James Newton Howard
Quem Quer Ser Um Milionário?, de A.R. Rahman
Milk – A Voz da Igualdade, de Danny Elfman
Wall-E, de Thomas Newman

Melhor Canção
Down To Earth, de Wall-E
Jai Ho, de Quem Quer Ser Um Milionário?
O Saya, de Quem Quer Ser Um Milionário?

Melhor Curta-Metragem (animação)
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato
Lavatory – Lovestory, de Konstantin Bronzit
Oktapodi, de Emud Mokhberi e Thierry Marchand
Presto, de Doug Sweetland
This Way Up, de Alan Smith e Adam Foulkes

Melhor Curta-Metragem
Auf der Strecke (On the Line), de Reto Caffi
Manon on the Asphalt, de Elizabeth Marre e Olivier Pont
New Boy, de Steph Green e Tamara Anghie
The Pig, de Tivi Magnusson e Dorte Høgh
Spielzeugland (Toyland), de Jochen Alexander Freydank

Melhor Curta-Metragem (documentário)
The Conscience of Nhem En
The Final Inch
Smile Pinki
The Witness – From the Balcony of Room 306

Melhor Documentário
The Betrayal
Encounters at the End of the World
The Garden
Man on Wire
Trouble the Water